Este garoto é o novo rei da internet
Em 2008, Andrew Mason, 29 anos, criou o site de compras coletivas Groupon, que hoje vale mais de US$ 1 bilhão. Em entrevista exclusiva, ele revela o segredo do seu sucesso e os planos para o Brasil
Mark Zuckerberg, o fundador da rede social Facebook, é um dos empreendedores mais conhecidos do mundo. Com apenas 26 anos, ele tem uma fortuna avaliada em US$ 6,9 bilhões, de acordo com a revista Forbes. É hoje mais rico que Steve Jobs, o lendário criador da Apple.Sua imagem estará nos próximos meses em um filme de Hollywood, no desenho animado Os Simpsons e em histórias em quadrinhos. Mas é outro rosto, ainda desconhecido, que está desbravando um novo território na web. Andrew Mason, o garoto de 29 anos da foto ao lado, criou o Groupon, site de compras em que uma oferta só é válida se um número mínimo de compradores for atingido.
"Somos a melhor forma de divulgação para um pequeno negócio até hoje"
Andrew Mason > fundador do Groupon
Em apenas dois anos, o negócio decolou em uma velocidade
impressionando e já é avaliado em US$ 1,35 bilhão. De acordo com a
Forbes, o Groupon é a empresa com o crescimento mais rápido da
história, à frente da loja virtual Amazon, do Google e do próprio
Facebook.
O banco Morgan Stanley estimou o faturamento da companhia em US$
500 milhões em 2010. Já em 2011, deve romper a casa de US$ 1 bilhão,
valor que Google e Amazon levaram cinco anos para atingir e a Apple,
oito. O Facebook deve alcançar essa marca só neste ano, seis após sua
fundação.
“Nunca houve nada, seja rádio, televisão, jornais ou o Google, tão
eficiente em atrair novos consumidores como nós”, afirma Mason, que
virá ao Brasil no final de outubro, em entrevista exclusiva à DINHEIRO.
“Somos a melhor forma de divulgação para pequenos negócios até hoje.”
O sucesso do Groupon – cujo nome é uma combinação das palavras
“grupo” e “cupom” em inglês – está na esteira de uma série de fatores,
muito semelhantes aos que fizeram o Google decolar. O gigante de buscas
na internet, por exemplo, criou um modelo de negócios que consegue
captar o que os usuários digitam na caixa de buscas com uma publicidade
que casa com as intenções do internauta.
"Brasileiro compartilha as promoções"
Florian Otto > presidente do clube Urbano
Assim, toda vez que a palavra “advogado” é digitada, um anúncio de
escritórios de advocacia aparece entre os resultados pagos. Isso
permitiu que milhões de pequenos negócios pudessem anunciar seus
produtos e serviços.
O Groupon, na área de comércio eletrônico, consegue que desde
grandes corporações, que querem girar seus estoques, até pequenos
empreendimentos com orçamentos de marketing limitados tenham um canal
de venda. O sucesso desta ideia pode ser medido pelo número de clones
que surgiram no mundo. Hoje, estima-se que existem mais de mil sites
semelhantes ao Groupon no globo. No Brasil, já se aproximam de 40.
Apesar do pouco tempo de vida, o Groupon está presente em 30
países, inclusive no Brasil com o nome de Clube Urbano. Atualmente, tem
240 sites em diferentes cidades com 20 milhões de usuários cadastrados.
“O Brasil já é hoje um dos nossos cinco principais mercados, mas
caminha para em breve ser o segundo”, afirma Mason. Isso é fácil de ser
comprovado.
Os sites de compra coletiva saíram do zero em fevereiro
para mais de 5 milhões de visitantes em setembro, segundo estimativas
do Ibope Nielsen Online, que mede a audiência na internet brasileira.
As lojas de varejo online, como Submarino, Walmart e Livraria Saraiva,
recebem em média 24 milhões de internautas por mês. Os sites de compras coletivas já representam cerca de 20% desta audiência em apenas seis meses.
“O brasileiro é o que mais compartilha as promoções por meio das redes
sociais no mundo”, conta o alemão Florian Otto, presidente do Clube
Urbano.
"Velocidade do crescimento surpreendeu"
Julio Vasconcellos > sócio do Peixe Urbano
No primeiro semestre, as vendas online no Brasil movimentaram mais
de R$ 7,8 bilhões, crescimento de 41%. “É um novo modelo de e-commerce
que veio para ficar”, afirma Gerson Rolim, diretor da Câmara Brasileira
de Comércio Eletrônico.
O Peixe Urbano, criado em março, é considerada a maior operação
deste tipo no mercado brasileiro, com mais de um milhão de usuários. “A
velocidade com que as compras coletivas vêm crescendo no Brasil nos
surpreendeu”, afirma Julio Vasconcellos, um dos fundadores do site.
ClickOn e Imperdível são outros sites dos mais usados do gênero no
País, que têm atraído até empresas estabelecidas na internet
brasileira. O site de comparação de preços Buscapé, por exemplo,
comprou o SaveMe, um agregador de ofertas deste tipo de sites no
Brasil. “Esse é um mercado em franco crescimento e não poderíamos ficar
de fora”, diz Romero Rodrigues, presidente do BuscaPé.
O Groupon nasceu de uma necessidade de Andrew Mason. Ele conta que
queria conhecer lugares bacanas na cidade de Chicago, nos Estados
Unidos, onde morava. E, é claro, não gastar muito dinheiro. Era o ano
de 2008 e a eclosão da crise financeira mundial desanimaria muitos
empreendedores. Mas não o jovem Mason, então com 27 anos. Aquele
momento conturbado se revelaria ideal para o Groupon começar.
Ao oferecer promoções diárias com descontos que chegam a
90% em restaurantes, salões de beleza, hotéis, academias, shows,
teatros, o site capturou com rara precisão os anseios e o estado de
espírito de um consumidor mudado pela crise. “As
pessoas se tornaram muito mais cautelosas e menos gastadoras”, disse à
DINHEIRO Martin Lindstrom, autor dinamarquês de A Lógica do Consumo,
escolhido pela revista Time, em 2009, uma das 100 pessoas mais
influentes do planeta.
A ideia deu tão certo que hoje há uma fila de espera de 40 mil
empresas em todo o mundo querendo anunciar no Groupon. O interesse faz
sentido, pois as promoções – que acontecem sempre por 24 horas e são
apenas uma por dia por cidade – têm dado resultado.
Apenas uma oferta feita no dia 19 de agosto deste ano para a
cadeia de lojas de roupas Gap, em 85 cidades nos Estados Unidos, gerou
uma receita estimada de US$ 5,5 milhões. O Groupon fica em média com
50% do total arrecadado por cada promoção. No Brasil, uma oferta de um
restaurante japonês em Campinas, no interior de São Paulo, chamado
ClickSushi, atraiu quase oito mil interessados, gerando uma receita
estimada de R$ 70 mil para o Clube Urbano, que tem mais de 600 mil
usuários cadastros no País. Essa é uma das vantagens do Groupon.
Seu modelo de negócios é claro e eficiente, ao contrário de muitas
companhias de internet que surgiram nos últimos anos, como o serviço de
microblog Twitter e o site de vídeos YouTube, comprado por US$ 1,6
bilhão pelo Google.
É por esse motivo que o seu modelo é amplamente copiado. Mason, no
entanto, parece não se incomodar. “Continuar inovando é uma obsessão
para nós”, afirma. Para ele, a demanda das empresas tem sido muito
maior do que o Groupon pode suportar atualmente. Isso explica o grande
número de concorrentes.
Para resolver esse problema, o Groupon está testando um modelo de
ofertas personalizadas, que vai permitir à empresa oferecer um número
maior de promoções diferentes em um mesmo dia, em uma mesma cidade.
Outro caminho está na divisão de grandes cidades, com diferentes
ofertas para cada região. “Somos a empresa que finalmente abriu as
portas do comércio eletrônico para milhares de pequenos negócios
locais. E estamos apenas no começo”, afirma. É verdade. Você ainda vai
ouvir falar bastante de Andrew Mason.
Fonte: Isto É Dinheiro
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